Um estudo recente publicado na revista Nature Human Behaviour analisou um grande enterramento coletivo descoberto no sítio arqueológico de Gomolava , na bacia dos Cárpatos (Sérvia). O túmulo, datado do século IX a.C. (Idade do Ferro inicial) , contém os restos mortais de 77 indivíduos , oferecendo uma das evidências mais claras de violência em larga escala na Europa pré-histórica. Um perfil demográfico invulgar A análise bioarqueológica revelou um padrão demográfico surpreendente: a maioria das vítimas eram mulheres e crianças . Este perfil difere do que é frequentemente observado em contextos de violência e conflito, onde predominam homens adultos, sugerindo um evento de violência dirigida contra segmentos específicos da população . Evidências diretas de morte violenta O estudo identificou lesões traumáticas peri-mortem em cerca de 18% dos indivíduos , sobretudo no crânio. Quando se consideram outras evidências osteológicas, pelo menos 20% dos indivíduos apresentam sinais de vi...
Um artigo recentemente publicado no International Journal of Osteoarchaeology apresenta o estudo paleopatológico de um homem adulto, mumificado de forma natural, descoberto na Igreja de São José dos Carpinteiros, em Lisboa, e datado do século XVIII. O excelente estado de preservação dos tecidos moles, o vestuário cuidado e o enterramento intramuros, um privilégio usualmente reservado a indivíduos de estatuto elevado, permitem enquadrar este caso num contexto social e histórico bem definido. A análise radiográfica revelou sinais claros de Hiperostose Esquelética Difusa Idiopática (DISH), uma patologia caracterizada pela ossificação progressiva dos ligamentos da coluna vertebral, sobretudo ao nível torácico. Para além da DISH, foram identificados outros indicadores de saúde e de história de vida, como desgaste dentário acentuado, patologia periapical, osteoartrose, uma fractura costal cicatrizada e linhas de Harris, que apontam para episódios de stress fisiológico durante a infância...