O termo saturação (saturation) foi introduzido na Grounded Theory de Barney Glaser e Anselm Strauss na década de 1960. Nesta abordagem, “saturação teórica” é o ponto em que não surgem mais dados que contribuam para desenvolver ou diferenciar categorias teóricas relevantes — ou seja, colectar mais dados já não traz novos conceitos nem propriedades para as categorias em estudo.
Nos últimos anos, tendo realizado diversos trabalhos metodológicos, percebi de forma mais clara que a "saturação metodológica" é também um dos predicados da investigação empírica. Esta saturação refere-se ao momento em que a aplicação continuada de um determinado método deixa de produzir informação substantivamente nova ou relevante para os objetivos de investigação.
Na antropologia biológica, este conceito é particularmente pertinente em estudos osteológicos e morfométricos nos quais a repetição de medições, a inclusão de novos indivíduos ou a aplicação de métodos adicionais já não altera de forma significativa os padrões observados ou as inferências alcançadas. Atingir a saturação metodológica implica que a variabilidade biológica relevante foi adequadamente capturada e que os resultados se tornam estáveis e reprodutíveis, reforçando a robustez das conclusões.
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