Para alguém minimamente versado nas minudências metodológicas da antropologia forense, este mantra é mais célebre que o Cristiano Ronaldo: o sexo é um dos quatro parâmetros básicos do perfil biológico (os outros são a idade à morte, a estatura e as afinidades populacionais), e usualmente é o primeiro a ser estimado.
Mas do que falamos quando falamos de sexo? Convém desde já declarar que quando falamos de sexo no âmbito do estudo do esqueleto humano não estamos a falar de relações sexuais. O sexo (e, por consequência, o sexo esquelético) é outra coisa e, portanto, é definido de forma distinta.
Desse modo, em termos biológicos, o sexo dos organismos é usualmente definido com base nas suas características reprodutivas e na função que desempenham na reprodução. A maioria dos organismos sexuados é classificada de acordo com os tipos de gâmetas que produzem: as fêmeas produzem gâmetas grandes e imóveis (óvulos), e os machos produzem gâmetas pequenos e móveis (espermatozoides). A diferença de tamanho das células sexuais denomina-se anisogamia.
Nos humanos e outros mamíferos, os machos tipicamente possuem cromossomas X e Y, enquanto as fêmeas possuem dois cromossomas X. Os humanos podem ser, também, intersexo. Os indivíduos intersexo são pessoas que nascem com variações nas características sexuais, incluindo variações genitais, gonadais, hormonais ou cromossómicas.
Na literatura antropológica e médica, os termos «sexo» e «género» muitas vezes coalescem. Todavia, não são sinónimos, não possuem o mesmo significado e, desse modo, não devem ser usados em substituição um do outro. O género é uma construção social que engloba os papéis expectáveis com base no sexo do indivíduo (papel de género) ou a forma como a pessoa se identifica de acordo com a sua consciência pessoal (identidade de género).
O sexo biológico é facilmente estimado no esqueleto, enquanto o género dificilmente se vislumbra numa avaliação simples e direta do mesmo. Voltaremos a isto.
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