A relevância científica da reconstituição facial do rei D. Dinis é discutível. Tal como a cor dos seus olhos, ou a confirmação da sua origem biogeográfica (era Europeu, mas isso já se sabia desde que o pequeno Dinis nasceu em alcova ancestral da Casa de Borgonha).
Todavia, uma cara é um elemento central de reconhecimento e expressão, e serve como uma interface única que combina aspectos físicos, sociais, culturais e emocionais. Uma cara funciona como um ponto de conexão superficial que permite que os outros nos identifiquem e se aventurem numa espécie de descoberta por inferência da nossa personalidade. Acima de tudo, as caras funcionam como espelho - e é a partir delas que radica tantas vezes a explosão de empatia que alicerça amizades, relações amorosas ou afinidades eletivas.
Quem vê caras, não vê corações - mas vê alguma coisa importante, de outro modo indefinível ou inalcansável. As expressões faciais e os traços visíveis da cara ativam a empatia, o julgamento ou a curiosidade, influenciando como nos relacionamos e nos identificamos com o outro.
E, por isso, é que esta reconstituição facial é relevante: porque nos permite ver o rei D. Dinis além das descrições formais dos manuais de História, ou dos mitos e lendas que se lhe pegaram como sarna. A uma narrativa que nos é, de certo modo, imposta (mesmo tendo uma ligação concreta com a «realidade» histórica), acrescenta-se um olhar vivido de ancião afável, um rosto de alguém que, com o cabelo cortado e bem penteado, poderia ser o nosso avô, o vizinho do segundo esquerdo ou um poeta laureado.
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