Um artigo recentemente publicado no International Journal of Osteoarchaeology apresenta o estudo paleopatológico de um homem adulto, mumificado de forma natural, descoberto na Igreja de São José dos Carpinteiros, em Lisboa, e datado do século XVIII. O excelente estado de preservação dos tecidos moles, o vestuário cuidado e o enterramento intramuros, um privilégio usualmente reservado a indivíduos de estatuto elevado, permitem enquadrar este caso num contexto social e histórico bem definido. A análise radiográfica revelou sinais claros de Hiperostose Esquelética Difusa Idiopática (DISH), uma patologia caracterizada pela ossificação progressiva dos ligamentos da coluna vertebral, sobretudo ao nível torácico. Para além da DISH, foram identificados outros indicadores de saúde e de história de vida, como desgaste dentário acentuado, patologia periapical, osteoartrose, uma fractura costal cicatrizada e linhas de Harris, que apontam para episódios de stress fisiológico durante a infância...
Nem bestas, nem anjos