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A mostrar mensagens de setembro, 2025

Curvas que não contam o tempo: os equívocos da análise de sobrevivência em bioarqueologia

É domingo, como se pode verificar em qualquer calendário, e eu devia estar a apreciar alguma reposição do Poirot, mas acabei agora mesmo de rever um artigo científico (podemos situá-lo algures nas vastas paisagens da antropologia biológica) que, uma vez mais, (ab)usa das curvas de Kaplan-Meier. Assim, não posso deixar de inscrever aqui a minha indisposição. Nos últimos anos, algumas investigações em bioarqueologia, paleopatologia e até antropologia forense, têm recorrido a métodos estatísticos desenvolvidos para estudos clínicos e epidemiológicos, nomeadamente a análise de sobrevivência ( survival analysis ) e a construção de curvas de Kaplan–Meier. Estes métodos foram concebidos para analisar dados longitudinais de tempo até ao evento , em que cada indivíduo é seguido ao longo da vida e se regista o momento em que ocorre um determinado desfecho (e.g., morte, fratura ou recaída), podendo ainda acomodar situações de censura (quando o evento não é observado durante o período de estudo). ...