Muito antes de conhecermos Merle Dixon, um personagem da série Walking Dead, e o seu braço prostético que inclui uma faca, fomos apresentados a Eduardo Mãos de Tesoura, um bem mais simpático humanóide fruto da imaginação delirante de Tim Burton que, em vez de mãos, exibia um par de tesouras. Os adereços cortantes acoplados aos membros superiores não são, contudo, um exclusivo da ficção.
Em 2018 foi publicado um artigo no Journal of Anthropological Sciences que apresenta um caso de amputação de parte do antebraço (rádio e ulna) e mão observado num homem com 40 - 50 anos de idade sepultado na necrópole medieval de Povegliano Veronese (Itália). O homem, de origem Lombarda (um povo dado à arte da guerra), pode ter perdido a mão em combate ou em resultado de uma punição conforme à lei. Além disso, as evidências de remodelação óssea associadas ao uso de uma prótese são claras. Junto ao braço encontrava-se uma faca de ferro, cujo cabo se alinhava com a mão amputada, e restos orgânicos compatíveis com couro. Os investigadores sugerem uma hipótese interessante (e plausível) para o achado: o homem usava uma prótese com uma arma de lâmina modificada anexada a ela.
Jorge Luis Borges escreveu um dia que "a realidade não tem obrigação nenhuma de ser interessante" mas, neste caso, talvez seja melhor glosarmos Mark Twain e admitirmos simplesmente que a "a realidade é mais estranha que a ficção".
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